segunda-feira, 30 de junho de 2008

Indignação

Sei que estão esperando o terceiro dia da viagem, mas hoje eu estou indignada! Vou explicar...

Sábado fui comprar umas coisinhas no Bom Preço próximo à Fonte Nova. Regressando pra minha casa, notei um cachorro faminto e preso em uma ruína que fica ao lado do Ministério Público. Tirei pão e frango assado e dei a ele. Nos dias seguintes (domingo e hoje) levei ração e água, mas ainda não pude resolver o problema do animal. Ele está triste, amedrontado e ansioso para sair de lá. Eu poderia simplesmente abrir o portão, mas se fizesse ele morreria atropelado. Por isso estou fazendo a única coisa ao meu alcance, alimentá-lo, até que uma luz surja na minha frente.

Qual é a minha indignação:
1. Várias pessoas já me disseram que o cachorro está ali já faz um tempo. Ninguém faz nada? Passa e ignora? Nem um pouco de comida para o animal?
2. O animal está ao lado do Ministério Público. Aquele órgão responsável por fazer denúncias públicas, que tem procuradores ganhando muito bem para buscar e denunciar atos abusivos. Ninguém viu o cachorro? Não estudaram que mau trato aos animais é crime?
3. Fazer lei e lagar lá é muito fácil. Os inteligentes governantes baianos instituiram que os prédios do centro histórico (Nazaré, Saúde, Pelourinho, Baixa dos Sapateiros e adjacências) são patrimônio histórico e cultural do Brasil. Isso quer dizer que esses casarões não podem ser demolidos e só podem ser reformados mantendo as características originais. Quem vai gastar do próprio bolso com uma obra dessas? Os prédios abandonados tornam-se pontos de vandalismo, tráfico e extorção. Casarões que abrigam dezenas de família em péssimas condições de vida, correndo risco de desmoronamento, muitas delas pagando até R$ 200,00 por um quarto fétido, ou por acreditar que quem cobra é o dono do imóvel ou por medo de retaliações.

Me respondam um coisa: Dá pra acordar e escrever sobre como a Bahia é bonita? Não dá não... infelizmente não dá.... Então talvez amanhã eu escreva algo sobre a viagem.

5 comentários:

Carla Beatriz disse...

Geo,

Compartilho tua indignação.

Por que o cachorro está amarrado em uma ruína? De que adianta amarrar o animal, se ninguém cuida dele?

Por que vc não procura alguma pessoa voluntária na Defesa dos Animais aí na Bahía? Acho que seria a melhor maneira de ajudar o cachorro ...

Beijos

Alexsandra Moreira disse...

Geo,

Sei como vc gosta de animais e imagino como está angustiada...
Não em veio nada na cabeça além de soltar o animal, mas tenho certeza que vc conseguirá pensar em algo para fazer por este cachorro que seja melhor...

bjao

Geovana disse...

Já falei com uma pessoa que faz parte de uma dessas associações. O problema é que o número de cães abandonados em Salvador cresce em proporção geométrica e não tem nenhum órgão que ajude a catrar, vacinar ou abrigar os animais. Ao contrário, o centro de zoonose de Salvador, vez em quando, junta um grupo de cães e solta nas ruas para que nós, que já temos tanto o que fazer, demos conta de acolhê-los. Por isso que não é tão simples assim. Salvador está parecendo uma terra anarquista, sem governo. João Henrique só faz propaganda e Jaques Wagner dá emprego aos companheiros, nada mais.

Tombazana disse...

É triste a "dormência" de muita gente que passa amorfa, olha e não VÊ...por cá passa-se o mesmo...a insensibilidade toma conta dos humanos. Fico sempre com um aperto no coração quando me deparo com um animal abandonado...vou apanhando os que posso e faço campanha junto dos amigos para lhes arranjar um lar e com alguma dificuldade cá vou tendo algum sucesso...eu já tenho 4 cães e três gatos...tenho a lotação esgotada em casa.
Amiga, tente saber se alguém pode ficar com o pobre animal.

Muitos beijinhos a alguém muito especial "feito" você.

Geova Costa disse...

Hoje fui lá colocar comida novamente. Uma moça se apresentou com prima do homem que mora na casa. Disse que é catador de papelão e que viajou, mas o primo dele ficou responsável por elimentá-lo. Ela disse que trabalha em frente ao Bom Preço. Minha solução, por enquanto, é dialogar, negociar, cuidar e vigiar. Darei notícias.

Obrigada por todos os comentários.