terça-feira, 9 de outubro de 2007

O modismo da Tropa de Elite


Parece que o sucesso do filme Tropa de Elite está acima do esperado. Só hoje li 03 comentários em diferentes escalas sobre o assunto.Um link de um código-fonte com os principais jargões do filme, um desfile de moda íntima inspirada no Bope e um comentário no blog bonequinho sobre os adolescentes e crianças que gravam vídeos no You Tube com cenas de torturas imitando o Bope. Diante de tanta polêmica, fica uma pergunta: Onde está o problema do nosso país? Nos filmes de violência que mostram uma possível realidade da polícia brasileira, na pirataria que permite uma visualização sem controle desses filmes ou na falta de estrutura e conhecimento das crianças e jovens do nosso país?

Na minha infância ser polícia era motivo de orgulho. Todos queriam ser heróis e salvar pessoas. As novelas e os filmes permitidos para menores sempre traziam um final feliz para o mocinho e este era sempre o que mais fazia sucesso. Hoje vejo que a dramaturgia evoluiu e nós precisamos evoluir para acompanhá-la. Muitas crianças passam o dia longe dos pais, sem apoio e sendo criadas pelo mundo. Elas continuam acreditando que a polícia é motivo de orgulho, mas não têm
discernimento para identificar que mesmo entre heróis existem o bandido, que nem toda polícia é certinha e que tortura não é motivo de orgulho para ninguém.

Junto com o despreparo das crianças vem a pirataria que dissemina, independente de público, cenas de chocar até a mais adulta das pessoas. Os pais já não escondem determinados conteúdos dos filhos e nem se preocupam com o que esses jovens podem ou não ver. Deixam a educação de seus filhos nas mãos dos professores e estranhos.

Diante de tanto despreparo em nosso país, temas de violência e guerra entram em nossas vidas de uma forma muito mais fácil que qualquer campanha de bom exemplo que tentemos disseminar. As crianças e jovens, sem bons heróis, acreditam que tortura e violência são normais e são bonitos de se ver. Um país com crianças sendo educadas da maneira que os pais estão educando as crianças hoje perderá seu controle em pouco tempo e nenhum presidente, por melhor que seja, irá conseguir reverter essa situação. O futuro do país é um problema nosso e nós devemos refletir e agir para mudar este quadro infeliz a fim de termos um mundo melhor.

Foto tirada do blog Bonequinho

3 comentários:

Rosinha Lima disse...

Falou e disse tudo! Ainda essa semana eu estava comentando com Alexandre justamente isso: o absurdo de se permitir que crianças assistam a esse filme. Ele acha que é impossível impedir, proibir é pior,e que se deve conversar com os filhos pra eles saberem que aquilo que estão vendo não deve ser copiado, admirado e nem feito com ninguém. Eu concordo com a parte da conversa, mas ainda acho que uma proibiçãozinha ("isso não é filme de criança, vá brincar") também resolve. Pelo menos resolveu na minha época..

Rita de Cassia disse...

Sou mãe de duas meninas, e todo assunto que diz respeito a violência me assusta e me choca. Trabalho o dia inteiro e não tenho muito controle no que elas vêem ou escutam. Quando estamos juntos procuramos sempre ver e ouvir o que também achamos permitido para a idade delas. Deixamos para assistir a filmes de adultos depois que elas dormem. Porém a violência não está somente nos filmes, está em nosso dia-a-dia. Assitimos ao jornal na TV e que vimos VIOLÊNCIA! É assalto, bala perdida, roubos, sequestros ... e cedo nossas crianças estão aprendendo a conviver com tudo isso, com o que fazem e com a impunidade. Nossos jovens estão crecendo vendo que políticos roubam discaradamente e não CPI que tirem eles do poder. Vêem ladrões sendo presos e soltos. Pelo menos as minhas vêem a minha cara de sofrimento, de indignação e muitas vezes de revolta... a pequena diz que não quer que eu assista mais ao jornal, porque eu sempre choro. É que alcancei um mundo melhorzinho, e nem faz tanto tempo assim. Sinceramente acredito que muitos pais têem preguiça de prestar atenção em seus filhos, de orientar suas escolhas, de ajudar nas tarefas, parecem que sentem medo que os filhos deixem de gostar deles, ou simplesmente não se importam mesmo, criam de qualquer maneira. Temos que ser atenciosos com eles e mostrar que isso tudo não é o "normal", o "bom", porque impedir que eles vejam esses filmes, novelas, ou escutem cada música escabrosa... isso tá difícil.
E por falar no filme assistí e foi num DVD pirata que pegamos emprestado e vou te contar nem fiquei tão chocada ... mas uma coisa me chamou atenção. A hipocrisia das pessoas, da "sociedade", esta que combate a violência, que vai as ruas protestar e que financia o tráfico. Se não houvesse consumidor não haveria traficante.
Beijos
Rita

Geovana disse...

A orientação é fundamental e um pouco de limite também.
Hoje vi um senhor comentando que a filha assitiu o filme na escola. Também é uma forma de tirar coisas boas do filme e isso pode ser feito em casa, com crianças que tenham idade para entender a mensagem.
Rita, sua filha tem razão: O jornal só traz notícias ruins. Muita coisa boa acontece no mundo e ninguém mostra. Tente ao menos buscar outro jornal.
Abraço a Rita e Rosinha.