quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Reposta: Aborto

Recebi um comentário sobre aborto que quero colocar aqui. Carla, que bom que respondeu, que bom que se indignou e se incomodou. Só não concordo que os problemas de saúde sejam decorrência do aborto e que os filhos nascidos paguem pelos pais, mas aí é outro assunto.

Não quero que legalizem o aborto, não é isso. Quero MUITO que as pessoas parem de fingir que não é com elas, que aborto é algo distante. Viu quantas histórias deixam de ser contadas cara a cara pelo protagonista? É possível imaginar quantas pessoas se arrependeram profundamente de ter abortado? Quantas pessoas, pouco tempo depois, abortaram novamente porque não puderam contar o erro cometido? Se parássemos de radicalismos e julgamentos (porque não cabe a nós julgar os outros) abriríamos espaço para assunto fluir, ser discutido e trabalhado para o bem.

Enquanto assumirmos posicionamentos radicais mais meninas, porque a mãe não pode saber que ela não é mais virgem ou porque os pais não aceitam que ela engravide, vão a clínicas clandestinas e abortam, assustadas, sem nem pensar nas consequências. Queira Deus que o filho (irmão, amigo) de um leitor que está aqui já não tenha feito aborto e tenha ouvido dos próprios pais (sem saber, é claro) que ele é um assassino porque nesta situação os pais são tão culpados quanto o filho.

Carla, se tiver vontade de revidar, revide porque falar do assunto é a melhor maneira de combatê-lo.

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Geovana,

Confesso que fiquei MUITO incomodada com teu texto, tanto que nem consegui responder na primeira vez que o li, ainda mais quando vi os comentários apoiando o "direito de escolha" da mulher de fazer ou não um aborto.

"Aborto não é sobre o “direito de a mulher escolher”. É sobre um “direito à vida” mais fundamental, que é um dos três especificamente identificados direitos inalienáveis na Declaração de Independência dos Estados Unidos (e na Constituição por meio do Artigo VII e da Declaração de Direitos). E é uma violação do principal propósito do governo: proteger a vida humana inocente.

Hoje mais de 1 milhão de crianças são abortadas anualmente só nos EUA, e a maioria absoluta desses abortos não tem nada a ver com estupro, com incesto ou com defeitos congênitos, etc. Tem a ver simplesmente com os desejos da mãe." (Blog do Julio Severo)

Eu, como mulher, mãe e cristã, sou CONTRA o aborto, pois sou favorável à vida.

"Não Matarás. Nesse mandamento, Deus NUNCA abriu uma exceção sobre a vida humana inocente. Ele jamais disse que a destruição de um ser humano é proibida, menos nos casos em que um ser humano não tem uma qualidade de vida. O mandamento se refere apenas à proteção da vida em si, não à sua qualidade. Deus dá a vida e, com nossa abertura, vem dele a qualidade. A qualidade em si pode ser buscada, mas jamais usada como pretexto para destruir." (Blog do Julio Severo)

Você por acaso já viu as fotos de bebês abortados? Você sabia que muitas vezes alguns abortos são feitos quando a mãe está em pleno trabalho de parto? Nesses casos, o aborteiro mata o bebê logo após nascer ou até antes, enfiando uma agulha em sua nunca ou quebrando seu pescoço.

Eu tenho uma tia que fez um aborto. Minha mãe conta que minha avó contou a ela que ela fez o aborto porque ela engravidou antes do casamento e ela não queria "que a mãe soubesse que ela transava antes do casamento". Sabe como tiraram o bebê? Aos pedaços, pois ela já estava com 6 meses de gestação. Era um menino. Essa tia só deu duas filhas ao marido, meu tio, irmão de minha mãe e ele sempre quis ter um filho, coisa que nunca conseguiu. Ambos morreram aos 60 e poucos anos, corroídos pelo câncer. A filha mais velha deles morreu de câncer de mama aos 47 anos. A propósito, as duas irmãs sempre brigaram durante toda a vida, de modo que hoje suas filhas não se falam. Tudo isso, porque minha tia não queria que a mãe soubesse que ela já transava com o noivo antes de casar ...

Eu tive dois abortos espontâneos antes de conseguir ter meu filho e levei mais de um ano para deixar de chorar pelo primeiro bebê perdido. Até hoje penso nesses bebês que não nasceram ... Imagine como se sente uma mulher que PROVOCOU o aborto de um filho! Ela sempre vai pensar: "Como seria se eu tivesse tido esse filho?"

Durante as duas guerras mundiais, muitos filhos foram gerados através de estupros, criando os chamados "filhos da guerra". Você já pensou em dizer a eles que eles não deveriam ter nascido, que não deveriam estar aqui, pois suas mães deveriam tê-los abortado? Quem somos nós para decidir quem vive e quem morre?

“Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta”. (Jeremias 1:5 RC)

12 comentários:

Carla Beatriz disse...

Geovana,

Eu acredito firmemente que o câncer que matou meus tios foi causado pela CULPA de terem abortado seu lindo bebê menino. Eles tiveram duas filhas lindas, mas sempre houve uma grande rivalidade entre ambas, muito por culpa de minha tia, que protegia a mais nova, em detrimento da mais velha. Ambas casaram com 18 anos e ambas foram mãe aos 19 anos. Ambas casaram cedo para sair de casa. Ambas tiveram uma filha e um filho e esses netos foram as maiores alegrias de meu tio, que nunca pôde ter um filho homem - porque o primogênito, eles mataram antes de nascer.
Eu também creio que toda essa culpa pode ter afetado a saúde de minha prima, que faleceu prematuramente aos 47 anos, de câncer de mama. Não estou dizendo que ela pagou pelos pais, mas leva a pensar que ela está sofrendo as conseqüências de um ato cometido pelos pais. Como teria sido essa família, se tivessem deixado viver o primogênito homem?

Sabe ... eu sempre pensei comigo mesma: "Se algum dia eu engravidar por causa de um estupro, eu posso até dar o bebê para adoção após o nascimento, mas não seria capaz de matá-lo ainda no ventre." No outro dia, li a reportagem de uma mulher que descobriu que era adotada e que a mãe dela a entregou para doação logo após o nascimento, porque ela foi o resultado de um estupro brutal. Ela não aceita que as pessoas digam que é aceitável abortar um bebê, só porque ele é o resultado de um estupro ou porque ele não era desejado. Cada um tem uma razão de ser para estar neste mundo e não cabe a nós decidir quem vai ou não vai nascer.

Além do que, o aborto é um procedimento brutal contra o organismo feminino e contra o próprio feto. Depois de ver as fotos de fetos de todas as idades gestacionais abortados, eu me tornei mais firme em minha posição CONTRA o aborto, seja qual for o motivo, pois sempre é possível dar o bebê para ser adotado por uma família que deseja desesperadamente ter um filho e não consegue.

Um beijo

Elaine disse...

Olá!
Li seu post anterior e achei melhor não me manifestar para não polemizar mas quero dizer que penso exatamente como a Carla e concordo com os dois comentários dela.
E também acredito que tudo o que chega a existir tem um propósito e precisa viver.
E parabéns por publicar opiniões diversas da sua;já vi blogs que simplesmente ignoram quem é diferente.
Mas que graça tem só ficar com quem é igual à gente:
Eu amo conhecer gente que pensa diferente de mim.
Fica com Deus.

Geovana disse...

Elaine, senti falta do seu posicionamento porque foi depois de ler um blog seu que resolvi escrever. Que bom que comentou.

Carla, agora entendi seu ponto de vista sobre as doenças. Não é algo simplesmente espiritual, é ter passado para a vida a dor de ter abortado e essa dor trouxe a doença. Sim, é possível.

Já vi fotos, aliás vi algumas muito tristes quando procurei uma imagem para colocar no blog. É chocante, é horrível. Uma mulher que faça aquilo com o próprio filho não terá paz interior nem poderá chorar, se arrepender e contar ao mundo para que outras mulheres não façam.

Eu digo uma coisa: acreditem que não é julgando ou ignorando o assunto que ele será resolvido. Também não adianta lei sem medidas preventivas e educativas.

Ana disse...

Eu tb sou contra o aborto, mas sou a favor do direito de escolha, tanto de fazer como de não fazer, seja por motivos religiosos, seja por quais forem.

Uma colega médica teve um caso peculiaríssimo: uma mãe estava em risco iminente de morte e queria que o bebê sobrevivesse, mesmo que ela morresse. Minha amiga foi contra, a lei brasileira inclusive nem permite esse tipo de escolha. Resultado: o bebê morreu, a mãe ficou.

Se fosse eu, não me meteria na escolha dessa mãe. Ela quem sabe, não é meu alvitre a escolha.

Abraços!

PS: vc já leu sobre fertilização in vitro (FIV)? Sobre a questão do descarte, que é feito direto nas clínicas?

Aura Sacra Fames disse...

Obrigado pela consideração.

Sobre o aborto, a pedra angular da qustão está em sabermos e no momento em que é retirado o feto ele já poderia ser considerado uma vida, isto é, qual é o conceito de ser humano que possuímos, quando convencionarmos essa questão relativa (que antítese) encontraremos uma solução para tal polêmica.

Abraços
aurasacrafames.blogspot.com

Alexsandra Moreira disse...

Geo,

Adoro assuntos polêmicos sempre. É muito bom olhar todos os pontos de vista.

ahhh, tem um selinho para você lá no blog.

bjos

Anônimo disse...

Vi os comentarios e vou aproveitar o anonimato e contar minha historia.
Eu engravidei aos 18 anos. Um namoro serio, mas n era o homem da minha vida. O sonho dele era estudar em outro estado numa boa universidade e tinha conseguido passar no vestibular. Minha mae dizia que a unica maneira de evitar gravidez era n transando e sempre me acompanhava aa ginecologista.
Eu fui irresponsavel, poderia ter sido mais esperta, ter ido escondido, ter pedido um remedio qualquer na farmacia, mas resolvi usar camisinha.
Era novembro, periodo fertil (praticamete um cio), camisinha acabou e foi sem ela mesmo. Pegou de primeira.
Qdo eu soube (60 dias de gestacao) fiquei desesperada. Meu namorado disse a melhor frase do mundo para um homem "Voce Decide. Se quiser ter a gente enfrenta o problema, eu largo a faculdade, arranjo um trabalho e fico aqui. Se nao quiser eu tiro o dinheiro da poupanca e a gente tira o bebe".
Hoje eu mandaria ele pra PQP e teria meu filho, ralando, sozinha. Na epoca (10 anos atras) eu decidi tirar.
Um dia, assistindo um globo reporter, vi minha mae acusando de assassino, dizendo q quem aborta deveria ir pra cadeia.
Hj eu conto como anonima, mas se pudesse falaria em cada escola o q senti e qto me arrependo. Contava como chorei qdo vi, apos o aborto, uma foto e o feto ja estava formado, bem pequeno.
Obrigada Geovana por entender como me sinto. Li seu blog e me vi nele em muitos momentos. Sofro com isso, acreditem. Gostaria de gritar minha dor ao mundo, n posso.

silvia masc disse...

O tema, foi assunto de capa da Veja da semana, o que percebi de positivo, é profissionais perdendo a hipocrisia de antes, se não praticam pelo menos orientam as mulheres da forma correta, para que elas não coloquem em risco as suas vidas. Na minha opinião, o ideal mesmo é que essa gravidez que pode levar a aborto não aconteça, mas creio também que uma mulher que pudesse criar o seu filho(a) com amor e condições, não optaria por tirá-lo. Meninas, devemos nos cuidar e muito, sexo sem camisinha pode trazer problemas muito maiores do que um gravidez indesejada. beijo à todas (os) vocês, tenham uma boa semana.

Geovana disse...

Ana, não li sobre a FIV, se puder nos fale em seu blog e me avise pra eu indicar a leitura.

Aura, pra mim a vida começa no primeiro sopro, no dia em que o óvulo é penetrado. Não tenho dúvidas quanto a isso. Só que em toda vida animal, a fêmea decide sobre sua cria, mas nós podemos ser diferentes com diálogos, educação e medidas preventivas. Não dá pra colocar na cadeia metade das mulheres férteis desse país.

Alê, volte sempre. Vou lá receber meu selo.

Anônimo, eu é que agradeço a sua história. Esse blog não tem tantas visitas, mas são muitas mulheres que, inclusive, tem filhos. Tenho certeza que o que escreveu será útil.

Silva, você tem razão. Uma vez minha amiga engravidou e ficou se lamentando e foi o que disse a ela: - Fique feliz que é um filho porque é uma bênção, imagine se fosse AIDS ou outra doença incurável?
Sabe que isso é tema pra outro post?

Abraço a todos.

Anônimo disse...

Geoavana, Sinceramente, não vejo o aborto com esse horror todo que as peessoas falam, afinal, o que é mais criminoso: abandonar uma criança ao tempo, sem poder de defesas, ou não tê-la?
Existem pessoas que, definitivamente, não nasceram para ser mães, porém, a sociedade cobra tanto delas esse papel, que quando vem a ter um filho são piores que animais.
Dar o filho em adoção, certamente, seria o mais viável, mas com a sociedade toda ao redor, cobrando dessa infeliz que ela tenha seu filho, que o crie e, por fim, que o ame, a mulher acaba por cometer desatinos do porte daquela mulher que jogou a filha recem nascida na lagoa da Pampulha, ou mesmo outras que fizeram horrores com os bebes...

Nem toda a mulher, acredite, tem em sí, em seu coração, o dom da maternidade, e a ela deve sim, com certeza, num momento em que por ventura ocorra um problema como esse, inesperado, causado por algo que vai além da sua vontade, ela pode sim, fazer o aborto.

Não é a Igreja, seja ela qual for, quem vai carregar, parir e criar aquele ser, por isso, é muito fácil falar para alguém fazer o que não vai ser experimentado por que o fala.

Senão, vejamos pelo outro lado: moças que morrem em clínicas clandestinas de aborto, por septcemia, ou por barbeiragem mesmo...

Essas moças poderiam ter suas vidas poupadas se o governo deste país, que é pobre, que tem gente passando fome, que tem gente miserável, desse condições delas abortarem em segurança.

Em países onde o aborto é legalizado, e onde se tem apoio do governo para a manuntenção da vida da mulher, os abortos não são feitos a torto e a direito, eles são feitos com ponderação.

A questão não é ser contra a opção de ter ou não filho, mas sim a condição de se tirar este filho que não se quer.

Abraços...

Ana disse...

Vou colocar e te aviso.
Bjos

Ana disse...

Já tá.
Bjos