terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Aborto

Atire a primeira pedra a menina nunca abortou ou conheceu uma amiga que abortou. Atire a primeira pedra o cara que nunca sugeriu um aborto à namorada ou viu um amigo sugeri-lo. Diante de tal constatação, é quase impossível entender a indignação das pessoas diante do aborto. Não achem com isso que estou defendendo o aborto, só quero constatar que nos indignamos desmerecidamente e que se queremos combatê-lo temos que assumi-lo.

Vejo em eternas discussões sobre a legalização do aborto e sobre o uso de embriões para pesquisa científica pessoas indignadas, constrangidas e enfurecidas conclamando que todos que abortaram (ou são cúmplices) são criminosos, que usar um embrião para realizar pesquisa é um crime, ofendendo e acusando, muitas vezes sem saber, filho, filha, sobrinhos, primos, vizinhos e amigos. O ofendido faz-se de desentendido, ou pra não gerar conversa, ou pra não ser preso, ou pra não ser crucificado. O mundo segue com seus tabus, fecha os olhos para a realidade, incentiva a ilegalidade e perde a oportunidade de um diálogo franco, direto e preventivo. Perde a chance de falar do presente e melhorar o futuro.

Se você, caro leitor, tem um mundo ideal de quem nunca viu, fez ou soube de um aborto feito por alguém que goste muito, sinta-se feliz. Em meu mundo conheço, vivi e sei de histórias, muitas histórias e sei que nenhuma das pessoas são criminosas, ao contrário, são pessoas que acrescentam dia a dia um pouco de si para o mundo. Pessoas que um dia erraram e aprenderam sem julgar os outros. É hora de mudar o diálogo para que o aborto fique apenas no dicionário e que um embrião salve muitas vidas.

9 comentários:

Ana disse...

Olá, Geovana, boa noite!
Sou defensora do direito de escolha e acho o que escreveu muito importante. Muitas das pessoas que são contra o direito de escolha dizem que as pessoas que fazem aborto fazem porque querem, felizes da vida e a realidade não é essa. Muitas pessoas defendem a criminalização a qualquer custo porque é mais fácil esquecer que ali há uma mulher que em 90% dos casos está sofrendo e muito - seja pelo abandono do parceiro, pois nem todas tem a sorte do cara apoiar - seja por estupro, seja pelo que for.

Aliás, a maioria inclusive diz que quem é a favor de descriminalização é a favor do aborto. Milito há mais de dez anos e não conheço uma pessoa só que seja assim. A maioria quer a descriminalização para evitar mais abortos, pois chegando ao SUS chega tb às assistentes sociais, etc.

Bom, me deu vontade de escrever sobre uma amiga que abortou na França. Não foi bonito,mas foi o único, porque ela teve acesso à informação, a remédios, a tudo que as mulheres não têm aqui nesse Brasil da ignorância e do lugar comum.

Abraços!

todoyda disse...

Geo, eu penso exatamente como a Ana aqui em cima, o livre arbítrio esta aí para isso.
Cada um faz o que quer do corpo e da alma, depois é que pague a sua conta.
Eu acho que todas as pessoas deveriam ter direito a informaçao e hospitais competentes para isso, mas quem decide mesmo é a mulher.
Eu não faria, mas quem sou eu para julgar os outros?
bjks

Ana Paulla Paiva disse...

Olá,

A questão Aborto é tão parodoxal quanto à legalização da maconha,tendo em vista a cultura brasileira,que segue os dogmas do catolicismo à despenalização do Aborto é mais inaceitável.

Vale ressaltar que não sou à favor e muito menos faço apologia em prol da situação,porém sou da opinião de livre arbítrio...Em casos de violência sexual sou mais flexível,caso contrário,o que mais temos atualmente são métodos contraceptivos.

Contudo,é um assunto a ser tratado com mais seriedade e sem o credo religioso,pois eu sou à favor da vida(mãe*/feto),e muitas,estão à ser ceifadas nas clínicas clandestinas.

Parabéns pelo post,
Ana Paulla Paiva

Alexsandra Moreira disse...

Assunto altamente polêmico...

Eu sou a favor do bom senso, pois exitem casos e casos. Quem realmente não tem ou conhece uma pessoa que já praticou este ato? Só por isso deixarei de amá-la?

Você colocou muito bem seu texto Geo, parabéns.

bjs

Rita de Cassia disse...

O assunto e complicado ... ficar do lado de um implica em ser contra o outro. Sou a favor da vida em qualquer circunstância, mas nem sempre foi assim. Já fui a favor do aborto pelas questões que você colocou, atendimento hospitalar, informação, orientação, etc. Hoje sou contra, terminantemente contra, acho melhor não fazer mas... nunca julgaria que fez ou vai fazer, pra mim, e esse é o meu lema de vida, cada um é cada um e faz o que achar que deve, só precisa prestar mais atenção com o que faz, afinal cada ato traz uma consequência e dela agente não vai se livrar. Hoje em dia existem informação (muita), ninguém pode dizer que "não sabia que podia ficar grávida", orientação, os pais hoje conversam mais com os filhos e... direito de escolha, temos mais independência. Muito mais do que já tive . Portanto, não custa nada pensar, pensar e pensar mais. Aborto é muito SÉRIO as consequencias podem ser devastadoras, mas se ainda assim alguém escolher fazer, sinceramente, não vou julgar ou emiir opiniões... cada um sabe o que faz, ou pelo menos devia saber.

Obs: Geo, juro que ainda apaguei um montão.
bj

Geovana disse...

Gente, quando coloquei o post pensei que viessem bombas, mas ao menos que aqui escreveu tem ponto de vista parecido.

Também não sou a favor do aborto e não acho que o governo deve sair legalizando, incentivando ou usando a solução como método de controle de natalidade.

O que acho mesmo é que julgar afasta as pessoas do assunto. Pessoas que poderiam dar um depoimento dizendo o quanto sofreu ou se arrependeu ou não adiantou (porque engravidou novamente) deixam de fazê-lo com medo dos julgamentos e da justiça.

Se parássemos de usar os jargões contra o aborto e o encarassemos de frente ele diminuiria muito.

Eu sei que se empolgaram, mas tem que escrever muito mesmo para não correr o risco de ser mal interpretada (está vendo?, até isso é um tabu).

Beijos e obrigada. Amei todas a opiniões.

Alexsandra Moreira disse...

Deixei um meme para vc lá no blog, passa lá.

bj

Carla Beatriz disse...

Geovana,

Confesso que fiquei MUITO incomodada com teu texto, tanto que nem consegui responder na primeira vez que o li, ainda mais quando vi os comentários apoiando o "direito de escolha" da mulher de fazer ou não um aborto.

"Aborto não é sobre o “direito de a mulher escolher”. É sobre um “direito à vida” mais fundamental, que é um dos três especificamente identificados direitos inalienáveis na Declaração de Independência dos Estados Unidos (e na Constituição por meio do Artigo VII e da Declaração de Direitos). E é uma violação do principal propósito do governo: proteger a vida humana inocente.

Hoje mais de 1 milhão de crianças são abortadas anualmente só nos EUA, e a maioria absoluta desses abortos não tem nada a ver com estupro, com incesto ou com defeitos congênitos, etc. Tem a ver simplesmente com os desejos da mãe." (Blog do Julio Severo)

Eu, como mulher, mãe e cristã, sou CONTRA o aborto, pois sou favorável à vida.

"Não Matarás. Nesse mandamento, Deus NUNCA abriu uma exceção sobre a vida humana inocente. Ele jamais disse que a destruição de um ser humano é proibida, menos nos casos em que um ser humano não tem uma qualidade de vida. O mandamento se refere apenas à proteção da vida em si, não à sua qualidade. Deus dá a vida e, com nossa abertura, vem dele a qualidade. A qualidade em si pode ser buscada, mas jamais usada como pretexto para destruir." (Blog do Julio Severo)

Você por acaso já viu as fotos de bebês abortados? Você sabia que muitas vezes alguns abortos são feitos quando a mãe está em pleno trabalho de parto? Nesses casos, o aborteiro mata o bebê logo após nascer ou até antes, enfiando uma agulha em sua nunca ou quebrando seu pescoço.

Eu tenho uma tia que fez um aborto. Minha mãe conta que minha avó contou a ela que ela fez o aborto porque ela engravidou antes do casamento e ela não queria "que a mãe soubesse que ela transava antes do casamento". Sabe como tiraram o bebê? Aos pedaços, pois ela já estava com 6 meses de gestação. Era um menino. Essa tia só deu duas filhas ao marido, meu tio, irmão de minha mãe e ele sempre quis ter um filho, coisa que nunca conseguiu. Ambos morreram aos 60 e poucos anos, corroídos pelo câncer. A filha mais velha deles morreu de câncer de mama aos 47 anos. A propósito, as duas irmãs sempre brigaram durante toda a vida, de modo que hoje suas filhas não se falam. Tudo isso, porque minha tia não queria que a mãe soubesse que ela já transava com o noivo antes de casar ...

Eu tive dois abortos espontâneos antes de conseguir ter meu filho e levei mais de um ano para deixar de chorar pelo primeiro bebê perdido. Até hoje penso nesses bebês que não nasceram ... Imagine como se sente uma mulher que PROVOCOU o aborto de um filho! Ela sempre vai pensar: "Como seria se eu tivesse tido esse filho?"

Durante as duas guerras mundiais, muitos filhos foram gerados através de estupros, criando os chamados "filhos da guerra". Você já pensou em dizer a eles que eles não deveriam ter nascido, que não deveriam estar aqui, pois suas mães deveriam tê-los abortado? Quem somos nós para decidir quem vive e quem morre?

“Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta”. (Jeremias 1:5 RC)

Ana disse...

POis é, Geovana. Quem acha que não deve fazer, não faça. Aja de acordo com suas crenças, mas jamais as empurre goela abaixo dos outros.

Abraços!