quarta-feira, 5 de março de 2008

Tiros na esperança

Ontem ao assistir o Jornal do SBT à noite, vi uma pequena vitória de um brasileiro. O estudante universitário Marcos Oliveira, que ficou paraplégico após um assaldo em Recife-PE, obteve na justiça uma idenização do Estado no valor de R$280 mil para uma cirurgia que o permitirá respirar com um marcapasso e voltar para casa.

É triste ver um jovem paraplégico, mas, fazer o governo pagar pela falta de segurança é um começo para que algo comece a ser feito. Segundo foi dito na reportagem de ontem, Pernanbuco fica entre os doi ou três estados mais violentos do Brasil, perdendo para o Rio de Janeiro e empatando com o Espírito Santo.

Se aqui na Bahia a coisa já está feia, fico imaginando com está o Recife. Uma pena, pois é uma cidade de grande beleza e cultura.

Veja a reportagem inicial retirada do site http://www.pebodycount.com.br. Um site de denúnica da violência em Recife. A reportagem tem o mesmo nome do Post.

SETE MESES DE UTI

Até o dia 3 de dezembro do ano passado, o universitário Marcos José Silva de Oliveira, 25, acordava cedo para ir a uma academia de ginástica, trabalhava como vendedor durante o dia e estudava à noite. Um assalto em um bar da Mangabeira, Zona Norte da capital, onde comemorava o fim do semestre letivo com os colegas de turma, terminou em tragédia. Rendido e sem esboçar reação, Marcos foi baleado. A bala atingiu as vértebras C1 e C2, praticamente na nuca do rapaz.

“Meu irmão está tetraplégico. Permanece consciente, mas não pode nem falar, porque respira com ajuda de aparelhos. Só está vivo porque fica conectado 24 horas às máquinas. Ele só tem perspectiva de sair do hospital se conseguirmos R$ 300 mil para pagar a cirurgia, o médico e o marca-passo que vai livrá-lo de ter que ficar ligado aos equipamentos da UTI”, explicou Patrícia Silva, irmã do rapaz.

Há sete meses deitado em uma cama, Marcos não pôde acompanhar o nascimento do primeiro filho, passou o aniversário com visitas restritas e só pode esperar. A chance de sua família conseguir o valor necessário para a cirurgia é mínima. As doações recebidas até agora somam pouco mais de R$ 3 mil.

“Esses casos representam uma tragédia a longo prazo. E o pior é que a sociedade se esquece dessas vítimas e nem as contabiliza no saldo da violência. Quando um ferido à bala chega à emergência nós tratamos, cuidamos do problema inicialmente e depois mandamos para casa. Muitos morrem de infecção dois meses depois, mas a causa inicial foi um tiro”, destacou o cirurgião João Veiga, plantonista da emergência do Hospital da Restauração. No levantamento realizado pelo médico entre 2000 e 2006 fica claro o aumento da letalidade nas agressões por arma de fogo. “O número de feridos a tiros vem caindo, mas o de mortos está aumentando. A violência dos ataques está cada vez pior. São muitos disparos e concentrados no pescoço, tórax e barriga”, informou Veiga.

Outra reportagem sobre o assunto: http://www.simepe.org.br/noticiasim/one_news.asp?IDNews=10106

5 comentários:

Cristiane Fetter disse...

Eu também ví, só que no jornal nacional e vibrei de alegria.
Pagamos imposto e não temos o retorno disso, só vemos desvios de dinheiro, políticos enriquecendo, obras super faturadas, e o básico para o brasileiro não acontecendo.
Isso abre um precedente para outras pessoas.
Vai ser um festival de processos.

Sonhos de Crochê disse...

Não ví a reportagem, mas hoje antes de sair de casa, escutei no rádio que o Estado não vai pagar a indenização ao Marcos. O Estado sempre recorre... Lembra do caso de um presidário (Já foi preso por engano) que durante uma rebelião no presídio levou um tiro e ficou cego? Não lembro de ter lido ou sabido que o Estado pagou a indenização devida e esse caso já foi julgado em várias instâncias. Enquanto isso o homem passa necessidade com sua família, dependendo da boa vontade de pessoas que inclusive já paga seus impostos para que fatos como esses sejam solucionados.
Queria ver coisas boas acontecerem ... mas tá difícil!
A escola onde minhas filhas estudam (Estadual),está em reforma, ainda não iniciaram as aulas. Hoje fiquei sabendo que dia 10 começam e dia 12 os professores entram em greve. É mole!!!!

Geo disse...

Rita
Eu vi na reportagem o cheque, já assinado, no valor de r$280 mil. Será que recorreram? Ô BRASIL!
Não dá mole pro governo. Passa atividade pras suas filhas, pega livros na biblioteca pra elas, loca bons filmes. Assim elas terão um bom desenvolvimento para mudar essa realidade.

Cris
Espero que, no final, Marcos consiga receber o marcapasso. Essa será uma grande vitória de um brasileiro.

Abraços.

Sonhos de Crochê disse...

Abaixo te envio notícia que saíu hoje no Jornal do Commercio.
Rita

Dinheiro de cirurgia de vítima de assalto será liberado
Publicado em 07.03.2008, às 07h50


Do JC

O juiz Djalma Andrelino Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Pública, reconsiderou, nessa quinta-feira (6), decisão tomada na última quarta-feira e determinou que a família do estudante universitário Marcos José de Oliveira retire os R$ 279 mil a que tem direito. Marcos foi baleado durante assalto há 1 ano e 3 meses e ficou tetraplégico. Desde então, a família dele entrou na Justiça pedindo para o Estado pagar o tratamento.

O Estado foi condenado a pagar o valor, mas o juiz determinou posteriormente que a família não poderia retirar o dinheiro, decisão reconsiderada nessa quinta. O dinheiro servirá para Marcos fazer uma cirurgia para implantar um marcapasso no diafragma, que vai ajudá-lo a respirar.

Geo disse...

Obrigada. Boa notícia.